{"provider_url": "https://www.indiapora.sp.leg.br", "title": "Rua Almiro Ferreira Faria", "html": "<p>======================================================================================</p>\r\n<p><a class=\"external-link\" href=\"http://sapl.indiapora.sp.leg.br/sapl_documentos/norma_juridica/1021_texto_integral\" target=\"_self\" title=\"Clique e veja\">Lei 509/1992 Indiapor\u00e3 SP 25/11/1992 - Rua Almiro Ferreira Faria</a></p>\r\n<p>======================================================================================</p>\r\n<table class=\"plain\">\r\n<tbody>\r\n<tr><th><img src=\"https://www.indiapora.sp.leg.br/institucional/fotos/personalidades-denominadas/almiro-ferreira-de-faria/@@images/eec8e374-21e9-4fb1-a95d-c8de1ee1d79d.jpeg\" alt=\"India Bonita\" style=\"float: right; \" class=\"image-inline\" title=\"India Bonita\" />\r\n<p>ALMIRO FERREIRA DE FARIA</p>\r\n<p>Popularmente conhecido como ALMIRO JAC\u00d3</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O senhor Amiro Jac\u00f3 era casado com dona Selvina Maria de Jesus, de cuja uni\u00e3o nasceram 7 filhos: Geraldina, Luiz Benedito, Ormezira (Chata), Deoclides (Zico), Abra\u00e3o, Ad\u00e9lia (esposa do Z\u00e9 Baiano) e Izaias (Bacana).</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vieram do c\u00f3rrego das Pedras, hoje Santa Isabel, para a fazenda \u00c1gua Vermelha, no ano de 1928.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Comprou uma propriedade de 3 alqueires do senhor C\u00e9sar Moura.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Transportou sua mudan\u00e7a no carro-de-boi e trouxe animais de reprodu\u00e7\u00e3o, dentre eles, gado, porcos, cavalos e aves.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Trouxe tamb\u00e9m armas de fogo, tais como carabina e espingarda pica-pau. Era ca\u00e7ador de animais selvagens, veados, catetos, antas e queixadas. Ca\u00e7ava para comer a carne e fazer objetos com o couro, dentre os quais, la\u00e7os, cordas, tamoeiro, tiradeira e brochas.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O senhor Almiro gostava de participar de festas de Santos Reis e certa vez fez uma promessa de se vestir de palha\u00e7o de folia por sete anos consecutivos. O seu companheiro de farda era o senhor Jos\u00e9 F\u00e9lix.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Naquele tempo, era comum as pessoas fazerem promessas para os santos de sua devo\u00e7\u00e3o, para que os mesmos ajudassem a resolver algum problema, principalmente de sa\u00fade. Quando se achavam agraciados, ent\u00e3o pagavam-se as promessas.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Almiro Jac\u00f3 era um homem servidor dos amigos e vizinhos, e, al\u00e9m de socorrer os doentes, hospedava os viajantes que passavam pela regi\u00e3o.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Transportava mercadorias para Tanabi, antiga Igapira. Em Igapira, seus neg\u00f3cios eram realizados com o senhor Jamil Turco ou com o senhor Jo\u00e3o Fiscal e, no retorno, trazia mercadorias para ele e para os vizinhos.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Seu filho Deoclides, apelidado de Zico, era candeeiro. O candeeiro geralmente era um rapaz que servida de guia para os bois do carro. Seu trabalho era mito importante, pois era quem administrava a toada da viagem e orientava a dire\u00e7\u00e3o dos bois, quando havia alguma estrada adjacente ou bifurca\u00e7\u00e3o.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Naquela \u00e9poca, normalmente os propriet\u00e1rios de bois e vacas atribu\u00edam nomes a esses animais que, quando chamado pelos nomes, atendiam prontamente.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dentre os nomes mais comuns, podemos citar: Chibante, Mimoso, Brioso, Formoso, Bal\u00e3o, Navegante, Crioulo, Retrato, Dobrado, Mimosa, Pintada, etc.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A posi\u00e7\u00e3o dos bois, que eram colocados em pares, de frente para tr\u00e1s dava-lhe essas denomina\u00e7\u00f5es: guia, p\u00e9 de guia, meio, chaveia e cabe\u00e7alho.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O carreiro era o senhor Arlindo Heitor ou o pr\u00f3prio senhor Almiro Jac\u00f3. Os lugares de ponto de pouso eram: c\u00f3rrego da Estiva, Barro Preto, Lagoa da Tra\u00edra, Quebra-Coc\u00e3o e c\u00f3rrego do Bonito.\u00a0 A viagem de ida e volta levava em m\u00e9dia 8 dias, e no carro levavam 6 porco gordos.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O senhor Zico me afirmou que, certa vez, durante a noite, na hora do pouso, uma on\u00e7a os atropelou e eles tiveram que cangar os bois e seguir a viagem, aproveitando o clar\u00e3o da lua.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dormia-se embaixo do carro e cozinhava-se em caldeir\u00f5es dependurados em suporte feito com duas forquilhas e uma haste de madeira verde.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Almiro Jac\u00f3 tamb\u00e9m possu\u00eda engenho e fazia pinga, a\u00e7\u00facar e rapadura. Tinha tamb\u00e9m um tear, onde dona Selvina fiava e tecia. \u00c0s vezes as mulheres se reuniam em mutir\u00e3o para fiar o algod\u00e3o, com muita alegria, muita cantarola e biscoitos \u00e0 vontade. Tempo bom aquele em que as fam\u00edlias se confraternizavam.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dona Selvina faleceu em Indian\u00f3polis, no ano de 1949 e o senhor Almiro, posteriormente, casou-se pela segunda vez com a senhora Joana Jacinta de Jesus e tiveram mais 4 filhos: Jos\u00e9 Jacinto, Albertina (casada com Jair In\u00e1cio), Denira e Idalina.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A principal renda da fam\u00edlia era tamb\u00e9m a venda de gado, porcos, pinga, a\u00e7\u00facar, rapadura e cereais que sobravam do consumo familiar.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ap\u00f3s a funda\u00e7\u00e3o da vila de Indian\u00f3polis, as mercadorias eram vendidas aqui mesmo para os senhores Calixto Turco e seu s\u00f3cio, senhor Salim, ou para o senhor Jo\u00e3o Bonif\u00e1cio, de Fernand\u00f3polis.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O senhor Almiro aprendeu a dirigir autom\u00f3veis j\u00e1 com idade avan\u00e7ada e comprou uma perua Rural Willys, com a qual viajava por toda a regi\u00e3o.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Faleceu em 1977, deixando de heran\u00e7a um s\u00edtio de 50 alqueires de terras no c\u00f3rrego do Tatu e uma ch\u00e1cara de 6 alqueires em Indiapor\u00e3, os quais foram divididos entre seus herdeiros.</p>\r\n<p>\u00a0</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pesquisa feita em 13 de dezembro de 1996.</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entrevistado: Deoclides Ferreira de Faria (Zico).</p>\r\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entrevistadores: Adelino Francisco do Nascimento e Joaquim Valeriano Borges</p>\r\n<p>\u00a0=======================================================================</p>\r\n<p><b>Texto extra\u00eddo do Livro Mem\u00f3rias de Indiapor\u00e3, Editora Ferjal 2000, Adelino Francisco do Nascimento, p\u00e1ginas 44 \u00e0 46.</b></p>\r\n<p>=======================================================================</p>\r\n<p>Data de Nascimento: 17/06/1895\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0local: _____________</p>\r\n<p>Faleceu dia: 12/07/1975, por causa de um c\u00e2ncer no nariz. Na ocasi\u00e3o residia em sua na Ch\u00e1cara em frente subesta\u00e7\u00e3o de energia da Cesp na estrada que liga Indiapor\u00e3 \u00e0 Guarani D\u2019Oeste. Est\u00e1 sepultado no cemit\u00e9rio de Indiapor\u00e3.</p>\r\n<p>Pai: __________________________</p>\r\n<p>M\u00e3e:_________________________</p>\r\n</th></tr>\r\n</tbody>\r\n</table>", "author_name": "", "version": "1.0", "author_url": "https://www.indiapora.sp.leg.br/author/ind", "provider_name": "Indiapor\u00e3 - C\u00e2mara Municipal Indiapor\u00e3", "type": "rich"}